Dividimos o projeto de acordo com os tópicos de cada slide (1 a 5) e as questões a serem respondidas em cada um deles. Para cada questão, haverá uma estrutura de específica para o trabalho ser melhor visualizado.
Esta seção do trabalho tem como objetivo:
Analisar a relação entre a dívida pública e a taxa Selic ao longo do tempo, com base em dados empíricos. A análise será dividida em dois eixos principais:
• Explorar como a trajetória da dívida pública se comporta em relação à evolução da taxa Selic, com base em diferentes métricas da dívida (bruta e líquida).
• Investigar como variações na taxa de juros e nas métricas da dívida refletem mudanças nas condições fiscais e na condução da política monetária.
O gráfico de linhas a seguir mostra a evolução da Selic, da dívida bruta e da dívida líquida ao longo do tempo. Tal gráfico:
• Permite observar padrões entre juros e dívida pública.
• Destaca como a dívida líquida é mais sensível à Selic.
• Mostra períodos em que alta de juros coincidiu com aumento da dívida.
• Ajuda a comparar o comportamento da dívida bruta e líquida diante de diferentes choques econômicos.
Nesta etapa, a matriz de correlação quantifica a relação entre a Selic, a dívida bruta e a dívida líquida, permitindo avaliar o grau de associação entre essas variáveis ao longo do tempo. Em relação à matriz:
• Mostra se os indicadores se movem juntos (correlação positiva) ou em direções opostas (negativa).
• A correlação entre Selic e dívida líquida tende a ser mais forte, refletindo a maior sensibilidade da dívida líquida aos juros.
• A dívida bruta, por ser menos volátil, apresenta correlação mais fraca ou até negativa com a Selic.
• Reforça a importância de distinguir as métricas da dívida ao analisar os efeitos da política monetária.
Crises abordadas:
• Crise eleitoral cambial de 2002
• Crise financeira global de 2008
• Reajuste tarifário de 2015
• Crise energética de 2021
• Intervenções tarifárias pré-eleitorais de 2022
• A Selic apresenta forte oscilação conforme os ciclos de política monetária, enquanto a dívida bruta segue trajetória mais persistente.
• Entre 2003 e 2010, observa-se queda na Selic e queda da dívida bruta como proporção do PIB — período de melhora fiscal e crescimento do PIB.
• Em 2015–2016, a crise fiscal e recessão levam a aumento da dívida bruta e alta da Selic, ainda que de forma desfasada.
• A dívida líquida, por descontar os ativos, é mais sensível à política monetária e flutuação cambial, o que aparece com mais volatilidade.
• A correlação positiva entre Selic e dívida líquida sugere que os juros elevados aumentam a carga líquida da dívida, especialmente em momentos de política monetária mais contracionista.
• Ao decompor a dívida em bruta e líquida, nota-se que a política monetária afeta ambas, mas de forma distinta: a dívida líquida é mais reativa aos juros, enquanto a bruta segue mais associada ao resultado primário e crescimento do PIB.
Exemplo: Se o governo aumenta a Selic:
• Ele paga mais juros sobre a dívida pública.
• Isso piora o resultado nominal e primário.
• Como a dívida líquida = dívida bruta − ativos, e os ativos mudam pouco no curto prazo
• A dívida líquida sobe com mais força, refletindo o impacto dos juros reais pagos.
• Enquanto a divída bruta inclui os ativas, diminuindo o impactos dos juros reais.
O equilíbrio fiscal ocorre quando as contas públicas estão balanceadas, ou seja, Receita = Despesa. Quando o Déficit Primário (Receita – Despesa) ou Déficit Nominal (Déficit Primário – pagamento dos juros) crescem, as despesas do Governo aumentam e causam um desequilíbrio fiscal. Esse desajuste fica mais evidente no longo prazo, com o pagamento dos juros, que influencia a política monetária e, consequentemente, os próprios juros da dívida.
| Tipo | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Superávit Primário | 3.39 | 2.89 | 2.18 | 2.63 | 3.10 | 2.25 | 1.51 | -0.54 | -1.74 | -2.33 | -1.52 | -1.54 | -0.71 | -9.13 | 1.19 | 1.21 | -2.23 | -0.39 |
| Crescimento do PIB | 5.09 | -0.13 | 7.53 | 3.97 | 1.92 | 3.00 | 0.50 | -3.55 | -3.28 | 1.32 | 1.78 | 1.22 | -3.28 | 4.76 | 3.02 | 3.24 | 3.40 | NA |
| IPCA | 4.56 | 5.84 | 4.59 | 5.99 | 6.22 | 6.15 | 5.59 | 7.14 | 10.71 | 5.35 | 2.86 | 3.78 | 4.19 | 4.56 | 10.38 | 5.77 | 4.51 | 4.56 |
| SELIC Anual | 12.48 | 9.92 | 9.78 | 11.62 | 8.48 | 8.21 | 10.91 | 13.29 | 14.03 | 9.96 | 6.42 | 5.95 | 2.75 | 4.44 | 12.38 | 13.03 | 10.89 | NA |
A dívida pública bruta e líquida ao longo do tempo variou nos diferentes ciclos econômicos do Brasil. Desde o começo do governo Lula, ano 2002, o país veio ganhando divisas e, consequentemente, reduzindo sua dívida pública. No entanto, a partir de 2012/2013, com o recuo do crescimento do PIB, aumento da inflação e aumento da taxa Selic, a dívida pública começou a crescer descontroladamente até 2020. No ano da pandemia, houve outra explosão da dívida pública, crescendo 12% (DBGG), decorrente de maiores gastos do Governo e redução das receitas. Logo depois, voltamos a um período de 2 anos que a dívida pública reduzindo, com o crescimento do PIB e IPCA controle, o Governo conseguiu reduzir 15% da DBGG. Nos últimos anos, a partir de 2023, o Brasil voltou a ver sua dívida pública crescer, principalmente motivada pelo aumento dos gastos públicos no crescimento do PIB.